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Milhões de Festa 2014
Álbum Altar Of Plagues

Mammal

Os irlandeses Altar of Plagues cumprem as regras por que jogam: fogem às regras do black metal e fazem um dos melhores registos do ano, até agora.

Data de Edição
2011
Editora
Candelight
Géneros
Atmospheric Black Metal
Por André Forte 27 de Junho, 2011

Os Altar of Plagues estão num avanço constante. De álbum para álbum, os irlandeses insistem em trazer mais elementos para a sua música, em enriquecê-la e em jogar com a faceta mais essencial do black metal, a sua capacidade emotiva. O melhor é que esse jogo se desenrola numa discussão bem no centro da banda interior sobre o que é que em Altar of Plagues é, ou não, black metal, algo que continua a ser um elemento principal na sua construção musical. Em Mammal, aliás, esta discussão só potenciou as qualidades melódicas e ambientais do género metal nelas mais dotado.

De notar que nada aqui parece desenrolar-se por indecisão identitária, mas trata-se antes de uma constante negociação das características mais básicas e importantes do black metal em troca de um sem-número de elementos igualmente emotivos dos outros géneros pesados – e não só, sendo essa recolha, porventura, um dos grandes fortes dos Altar of Plagues.

A surpresa da procura foi ultrapassada com toda a clareza com Tides e ficou, de certa maneira, no impressionante White Tomb, que não vivia da consistência que se encontra hoje na música dos seus autores. Agora, é com o conhecimento de quem sabe como se afastar e aproximar do black metal puro de forma desconcertante e constante, que a música parece ser feita. E nunca as suas composições tiveram tanto impacto no ouvinte (que sou eu, como é óbvio). De forma sucinta, os riffs de Mammal continuam longos, desesperados, desesperantes, mas dotados de uma preparação mais minuciosa e agoniante.

Este vaivém genético, de tirar daqui um riff feito de tremolo picking bem típico do black metal, pôr acolá uns hammers de meio-tom em cadeia, apostar no pedal duplo da bateria, ou procurar a apatia menos extasiante do doom tanto no baixo como na percussão, é o que caracteriza os Altar of Plagues e tudo isto nos surge no seu segundo álbum desde a primeira Neptune is Dead à final All Life Converges to Some Centre, sem nunca excluir a pouco usual e instrumental When the Sun Drowns in the Ocean e a sua melodia estranha. É uma negociação por parte dos irlandeses que não hipoteca nada do que fazem, que não os compromete nem os coloca em xeque com o seu género, mas que os separa dos seus pares, acima de tudo porque os aproxima de uma envolvência superior à caixinha de sapatos onde os tentei meter ao longo deste texto todo. Um erro típico da minha laia, mas não menos errado.

Os Altar of Plagues, com o seu jogo de growlings ou simples berros desafinados e sofridos, com a suas melodias longas e complexas e com os ambientes voláteis, ainda que imutavelmente negros, têm o seu pequeno campeonato e devem ser respeitados por isso.

Mammal é o álbum que lhes consagra um lugar especial, de terem a sua identidade mesmo no meio de um limbo e de possuírem a capacidade de nos sugarem a vida – ou não pensem que o título de All Life Converges to Some Centre é incauto. É um título propositado, resultado do melhor riff que eu ouvi até agora, em 2011. Um final perfeito para um disco pleno, que no seu reflexo nos deixa, a nós, apenas com a negritude da música mais pesada.

Alinhamento:

  1. Neptune is Dead
  2. Feather and Bone
  3. When the Sun Drowns in the Ocean
  4. All Life Converges to Some Centre