Keep You Close
Agora sim, a queda prematuramente anunciada dos DEUS, no pior disco da banda belga.
- Data de Edição
- 2011
- Editora
- PIAS
- Géneros
- Experimental Rock, Indie Rock

Depois de obras-primas como In a Bar, Under the Sea ou The Ideal Crash, os dEUS surgiram na segunda metade dos anos 00’s bem menos experimentais e mais maduros, sem que isso seja necessariamente um ponto negativo. Entre o nervo de Oh Your God ou Sun Ra e a beleza de Nothing Really Ends ou Eternal Woman, Pocket Revolution (2006) e The Vantage Point (2008), eram discos constituídos por canções mais redondas, mas grandes canções.
Ao invés, este Keep You Close surge desinspirado e revelando a crise de identidade que uma boa parte da crítica já tinha injustamente apontado nos trabalhos anteriores (em contraponto, a crítica até tem sido simpática para com este álbum). A coisa até nem começa mal: a candura sinfónica e a eloquência mais límpida da voz de Tom Barman fazem da faixa título um belo tema, a que se segue um mais negro e interessante The Final Blast.
A questão é que, a partir daqui, sucedem-se os equívocos: desde a perigosa aproximação ao nu metal (?!) no refrão de Dark Sets In, até aos teclados duvidosos de Ghosts (parece haver algo dos Muse do presente e isso é comparação que se quer evitar a todo o custo), passando pela pálida imagem do que foi a beleza melancólica dos dEUS em discos anteriores, no mais lento The End of Romance.
Caso paradigmático é o single Constant Now: teclados épicos, um sopro imponente no refrão, uns pozinhos de Red Hot Chili Peppers (vá, talvez não tanto) ou a voz mais grave e visceral de Barman, num conjunto de pormenores que podem ter mil e um intentos, mas que redundam numa boa mão cheia de nada.
Nos últimos anos, os dEUS deixaram de ser cool e provavelmente também já não eram geniais. Mas fizeram bons discos que a crítica, vidrada em outras sonoridades, não terá apreciado devidamente. Se, até aqui, pouco haveria a apontar à opção da banda em trilhar um caminho diferente e, no contexto musical corrente, menos óbvio, algo muda neste fraquinho Keep You Close. Falta o mais importante: inspiração e grandes composições, no pior disco dos belgas. Que não seja o princípio do fim de Barman e companhia.


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