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Álbum dEUS

Keep You Close

Agora sim, a queda prematuramente anunciada dos DEUS, no pior disco da banda belga.

Data de Edição
2011
Editora
PIAS
Géneros
Experimental Rock, Indie Rock
Por João Torgal 31 de Outubro, 2011

Depois de obras-primas como In a Bar, Under the Sea ou The Ideal Crash, os dEUS surgiram na segunda metade dos anos 00’s bem menos experimentais e mais maduros, sem que isso seja necessariamente um ponto negativo. Entre o nervo de Oh Your God ou Sun Ra e a beleza de Nothing Really Ends ou Eternal Woman, Pocket Revolution (2006) e The Vantage Point (2008), eram discos constituídos por canções mais redondas, mas grandes canções.

Ao invés, este Keep You Close surge desinspirado e revelando a crise de identidade que uma boa parte da crítica já tinha injustamente apontado nos trabalhos anteriores (em contraponto, a crítica até tem sido simpática para com este álbum). A coisa até nem começa mal: a candura sinfónica e a eloquência mais límpida da voz de Tom Barman fazem da faixa título um belo tema, a que se segue um mais negro e interessante The Final Blast.

A questão é que, a partir daqui, sucedem-se os equívocos: desde a perigosa aproximação ao nu metal (?!) no refrão de Dark Sets In, até aos teclados duvidosos de Ghosts (parece haver algo dos Muse do presente e isso é comparação que se quer evitar a todo o custo), passando pela pálida imagem do que foi a beleza melancólica dos dEUS em discos anteriores, no mais lento The End of Romance.

Caso paradigmático é o single Constant Now: teclados épicos, um sopro imponente no refrão, uns pozinhos de Red Hot Chili Peppers (vá, talvez não tanto) ou a voz mais grave e visceral de Barman, num conjunto de pormenores que podem ter mil e um intentos, mas que redundam numa boa mão cheia de nada.

Nos últimos anos, os dEUS deixaram de ser cool e provavelmente também já não eram geniais. Mas fizeram bons discos que a crítica, vidrada em outras sonoridades, não terá apreciado devidamente. Se, até aqui, pouco haveria a apontar à opção da banda em trilhar um caminho diferente e, no contexto musical corrente, menos óbvio, algo muda neste fraquinho Keep You Close. Falta o mais importante: inspiração e grandes composições, no pior disco dos belgas. Que não seja o princípio do fim de Barman e companhia.