Faust
Depois de uma ausência de edições demasiado longa, os La La La Ressonance regressam com um longa-duração bom demais para ser ignorado. Faust tem a matéria e a humildade para se revelar como um dos registos do ano.
- Data de Edição
- 2012
- Editora
- PAD
- Géneros
- Avant-garde, Jazz, Post-Rock

É essencial reconhecer que o post-rock percorre as ruas da amargura. E é essencial perceber que, ao contrário do que se pinta, o género está longe de se ficar pela escola dos Mogwai, dos Slint e dos Godspeed You! Black Emperor, e pelas suas ramificações de intenções mais pesadas. A atitude rocker, irreflectida e puramente primitivista é imediatamente colocada de lado pelos La La La Ressonance, que não ingressam nas linhas da música que temos hoje. É de olhos postos na tela de projecção que surge Faust, uma banda sonora para o interior da mente humana, em que as paisagens são preteridas para dar lugar à filosofia e à metafísica.
Sabe-se, por isso e facilmente, que o que é difícil de catalogar e é instrumental leva a etiqueta do pós-qualquer coisa. Os La La La Ressonance são póstumos a muitos e diferentes percursos e, uma vez mais, conseguiram englobar num registo diferentes perspectivas sobre um mesmo assunto, num registo complexo em que a melodia não se subordina à harmonia. Não quer isto dizer que haja algo fora do sítio – seria impossível num disco que parece ter a precisão bela do matematicamente sentido –, mas, sim, que Faust é, em última instância, um exercício estético belo como poucas bandas, ou nenhuma em Portugal, conseguem fazer.
A começar na rítmica Go back n’ Fetch It, onde tudo é melodioso, desde o baixo, com a sua presença estratégica, até à bateria, a chegar a (always read the) Small Print, onde a guitarra parece destoar sistematicamente até que o cérebro a assimile na música – o que, diga-se, desbrava terreno para que um saxofone solte um momento de free jazz, num desvario louco –, todo o disco dos minhotos assume a postura de um post-rock que não tem objectivos, ocioso e, por isso mesmo, cheio de possibilidades. O especial em Faust, é tê-las concretizado a todas, mesmo com assimilação das contribuições etéreas do colega de editora The Astroboy, e sem excluir os momentos de rock com os quais, à partida, não se identificariam, como acontece, e bem, com a faixa-título.
Os La La La Ressonance não pariram um disco de fácil assimilação, mas não será difícil perceber que o silêncio a que se têm remetido desde o lançamento de Outdoor, lançado em 2009, não deveria ter sido tão longo. Digam-se as verdades: estes senhores são uma instituição à espera de reconhecimento. Pois, souberam-no aqui primeiro.



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