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Milhões de Festa 2014
Álbum Process of Guilt

FÆMIN

Mais do que do lancinante peso ou da conspurcada atmosfera, o novo álbum dos Process of Guilt faz da verdade a sua maior virtude.

Data de Edição
2012
Editora
Bleak Recordings
Géneros
Doom, Metal, Post-Metal, Sludge
Por Emanuel Pereira 28 de Maio, 2012

Há algo de incomensuravelmente belo na sinceridade. Uma beleza que nasce da escassez, pois ela, a sinceridade, é um bem incomum. Mesmo que venha adornada de obscuras roupagens e de negros horizontes, a verdade será sempre a verdade. E preferi-la ao amor, ao dinheiro ou à fama, é um exercício que de tão lógico se torna natural.

Os Process of Guilt trazem verdade consigo. Sempre assim foi na sua carreira. Diga-se, no entanto, que nunca contaram a verdade desta forma. Falemos das tribais ambiências de inspiração neurótica, falemos das vocalizações reminiscentes de um homem que indicou o caminho com Streetcleaner e falemos dele, do grande, do basilar riff – em FÆMIN mais pesado e assertivo e, principalmente, golpeante como nunca, na sua circular devastação. Num percurso que se iniciou pelas estradas do death/doom, os Process of Guilt estão agora na esfera daqueles que não mais foram os mesmos desde que Justin Broadrick roubou o baralho de cartas e mudou as regras do jogo.

E não se situam nesse campo, comummente designado por post-metal ou sludge, de olhos especados no futuro: os Process of Guilt são presente. São hoje. Não há imberbes esperanças, há uma consolidada maturação de uma abordagem sonora que é do melhor que se encontra neste país. E há, convém (re)sublinhar, a verdade, que este álbum acertadamente ilustra na fome: cruel, dolorosa, asfixiante, pungente e, em última instância, fatal. Convém alguém transportá-la e contá-la, não só pela urgência, mas pela sua essencial pulcritude. E os Process of Guilt fazem-no.