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Entrevista Mr. Miyagi

"Sempre ambicionámos distribuir o máximo de porrada possível"

Fastcore, skate punk, hardcore, thrashcore, whatever. Os Mr. Miyagi assumem-se, cada vez, como mestres da pancada em alta velocidade e preparam-se para o demonstrar no Náice #3 e no Milhões de Festa.

"A situação mais crítica aconteceu em Lisboa, no Rock in Chiado, quando tivemos de parar de tocar várias vezes porque o pessoal estava a cair para cima da bateria e a desmontá-la."

Por Emanuel Pereira 9 de Junho, 2011

Mr. Miyagi © Pedro Roque

“Mas para que é que vais entrar? Fica aqui a beber umas”, disseram-me numa noite de Setembro, à porta do Cine-Teatro de Corroios. É um daqueles hábitos que me inquieta, o de ficar num café a beber até ao main act, talvez porque eu tenha sempre curiosidade em ver todas as bandas às quais tenha direito, mesmo que em algumas apenas aguente meio minuto. Os headliners eram os Municipal Waste, catedráticos na arte de tresmalhar uma plateia. A abrir estavam os Mr. Miyagi, banda a frequentar a licenciatura nessa disciplina. Nas tintas para a pouca gente e claramente a desfrutar a oportunidade, os vianenses ficaram na retina; e, dois anos volvidos, não é de admirar que estejam, finalmente, nas bocas do mundo que é o underground nacional. Só este ano, já andaram pelo SWR Barroselas, pelo Outsider Fest e preparam-se para ir até ao Milhões de Festa, bem como à 3ª edição do Náice. O PA não perdeu a oportunidade e foi falar com eles.

"Cinturões negros em karaté", os Mr. Miyagi avisam a navegação para "ter cuidado". E há razões para isso, já que depois de terem dizimado inúmeros corpanzis no ringue, decidiram espatifar plateias de norte a sul. É isso mesmo, a ambição da banda sempre foi esta: "distribuir o máximo de porrada possível, por isso fazemos por ir tocar a muitos sítios".

Inspirados pela adrenalina do hardcore, thrash e do "skate rock à Agent Orange", a banda de Viana do Castelo decidiu pegar no inglês pelos mesmos motivos. Segundo eles, sendo esta a língua universal, o trabalho fica-lhes facilitado, pois "assim todos sabem porque levam". Não tão preocupados com o estado da sociedade, muitas vezes a temática preferida de inúmeras bandas de punk hardcore, os Mr. Miyagi preferem encarar a música “de forma mais descontraída, contornando a sociedade, já que pouco se pode fazer para mudar tanta cabeça entupida”.

E a deixa foi clara para a pergunta seguinte. Cabeças entupidas, realmente, é o que não faltam por aí e, tendo os Miyagi tocado em Barroselas há um mês, festival onde já aconteceram algumas escaramuças entre punkers e fãs de metal mais extremo, quisemos saber qual a opinião da banda que teve a honra de abrir o evento: "foi muito bom e as pessoa não estavam de braços cruzados, nem a olhar de lado. Sentimo-nos bastante bem recebidos pelos metaleiros, aliás, isso do pessoal a olhar de lado é noutro tipo de concertos. Normalmente, os metaleiros são humildes e fixes para fazer a festa!"

Vê-los num palco da dimensão do main stage do SWR, foi também motivo para perguntar se os vianenses preferem tocar em espaços maiores ou em redutos mais aconchegados: "Tanto nos dá. É natural que, estando mais próximo do público, a energia seja transmitida mais facilmente. Além disso, o facto de tocar em primeiro nos palcos maiores não nos ajuda muito, as pessoas ainda se estão a ambientar, mexem-se menos, claro. Mas nós curtimos na mesma."

E quem já teve oportunidade de os ver a actuar em sítios como a Galeria Zé dos Bois ou a Casa de Lafões, facilmente percebe que o caos demora pouco a instalar-se. Para além de o primeiro concerto ter acabado em porrada a sério, "a situação mais crítica aconteceu em Lisboa, no Rock in Chiado, quando tivemos de parar de tocar várias vezes porque o pessoal estava a cair para cima da bateria e a desmontá-la".

Na curta discografia da banda, conta-se um split com os britânicos Cold Ones, sendo também comum vê-los com t-shirts do grupo de Liverpool: "Os Killing Frost tocaram com eles em Inglaterra e o André (vocalista) disse-nos que era uma boa banda para fazer um split. Falámos com eles pela internet e eles aceitaram e arranjaram editora… Foi fixe. As t-shirts foi porque fizemos uma mini-tour com eles e no fim roubámos-lhes o merchandise."

Para o futuro, e depois de no ano passado terem lançado o segundo álbum To The Bone, os Mr. Miyagi têm um novo álbum mente e ambicionam "andar um pouco pelo estrangeiro". Tendo já aberto em Portugal para lendas como D.R.I. ou Suicidal Tendencies, a banda nacional ambiciona um dia poder vir a abrir para os já extintos Annihilation Time, Zeke ou até mesmo Motörhead e Metallica.

Antes de esses sonhos serem cumpridos, o quarteto terá ainda de passar por Barcelos, em Julho, onde irá actuar no Milhões de Festa: "Infelizmente, esperamos um concerto aborrecidíssimo… Ainda por cima na piscina… Que chatice, temos de levar as braçadeiras…".

A concluir, os Mr. Miyagi deixam-nos ainda a lista do que andam a ouvir:
"Joe Buck Yourself, Witch, Annihilation Time, Little Richard, Zeke, Chuck Berry, Black Sabbath, Katie Perry, Snoop Dogg e, claro, o nosso local homie Augusto Canário".