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Entrevista Male Bonding

“Não aspiramos a ser uma daquelas bandas que soam tal e qual como no disco“

Apresentam amanhã, no Musicbox, Endless Now, o seu Segundo disco, e prometem confirmar todo o buzz de que têm sido alvo nos últimos três anos. Aproveitámos para falar um pouco com Robin Silas Christian, baterista do trio maravilha de Londres.

"A dinâmica duma banda muda, tal como qualquer relação, por isso foi bom fazer o Endless Now de forma diferente que o primeiro disco"

Por Gonçalo Trindade 20 de Janeiro, 2012

Este Endless Now soa mais “cheio” do que o Nothing Hurts, o vosso primeiro disco. Há mais melodias vocais, o som é mais nítido, e há também imenso overdub de guitarras. Como é que isto resulta, ao vivo?

Quando estávamos no mixing do disco, decidimos convidar o nosso amigo Nathan para tocar connosco em concertos. É um bom amigo e as músicas precisavam de mais guitarras. Resultou muito bem e gostamos de ir trocando as coisas, por isso agradou-nos a ideia de mudar a dinâmica ao vivo. Não aspiramos a ser uma daquelas bandas que soam tal e qual como no disco, nunca gosto disso, mas ter o Nathan a bordo muda mesmo o som no geral. É bom tê-lo por perto, e além disso as novas canções têm mais camadas de guitarra com que podemos brincar.

"Partilhar experiências é o que faz com que valha tudo a pena"

Parece que exigiram imenso de vocês mesmos neste disco, que em alturas soa bastante ambicioso. Sempre foi assim? Quando começaram, já estavam a apontar para as estrelas, tentando ser a melhor banda possível, levando tudo isto muito a sério? Ou isso só começou a mudar com a excelente recepção que o Nothing Hurts teve?

Quando começámos, estávamos todos em bandas diferentes. O John e o Kev estavam nos Pre, e eu estava nos Bullet Union. Sempre soubemos que tínhamos de fazer uma banda juntos, era mais uma questão de quando é que teríamos tempo para o fazer. Falámos muito sobre isso, mas nunca discutimos propriamente sobre “apontar para as estrelas”… Sempre tivemos um plano, e ainda temos, que é o de nos divertirmos e documentarmos o que fazemos. A dinâmica duma banda muda, tal como qualquer relação, por isso foi bom fazer o Endless Now de forma diferente que o primeiro disco. O John escreveu algumas excelentes canções e gostámos de trabalhar nelas juntos e em pensar no disco numa coisa real, com dois lados.

Ganharam imensas experiências ao longo destes últimos três anos, imagino… e passaram também imenso tempo juntos, em digressão. Isso aproximou-vos?

Partilhar essas experiências é o que faz com que valha tudo a pena. A maior parte do tempo que passamos juntos é positivo. Com sorte, um dia quando formos velhos vamos poder sentar-nos e falar daquela vez em que fiquei preso num autocarro escolar no México, daquela vez em que o John se trancou numa casa-de-banho na Noruega, ou daquela vez em que o Kev quase foi atropelado no Texas por um burrito voador. [risos]

"A coisa mais overwhelming foi descobrir que o Michael Jackson morreu no dia em que assinámos contrato [com a Sub Pop]"

Aconteceu tudo muito rápido: assinar com a Sub Pop, ir em digressão, ter todo o hype… Isso nunca se tornou um bocado overwhelming?

De certa forma, isso com a Sub Pop foi um grande alívio, porque não só era uma editora que adorávamos, mas também significava que podíamos ter menos cuidado com o que fazíamos. Até à altura em que eles falaram connosco, tínhamos sempre muito cuidado em só fazer certas coisas. Tratámos o contrato com a Sub Pop como se fosse um novo Capítulo. Eles são incríveis e, historicamente, significou muito para nós, para nos fazer crescer. A coisa mais overwhelming de tudo isso foi descobrir que o Michael Jackson morreu no dia em que assinámos contrato, não sabíamos como nos devíamos sentir.

Como é que arranjaram tempo para fazer o disco, durante a digressão? Foi antes ou depois das viagens todas?

O John deu-nos algumas canções óprimas e, pelo que sei, foram todas escritas depois de termos terminado uma longa viagem. Algumas das canções já existiam há imenso tempo: Carrying, Can’t Dream, Tame the Sun e Before it’s Gone

O disco foi produzido pelo John Agnello. Que tipo de impacto teve ele?

Ele teve um papel muito importante, foi a primeira vez que tivemos um “produtor”, imagino eu. O John é óptimo, esforçou-se mesmo muito e tivemos de fazer longas noitadas para acabar tudo a tempo. Acho que foi bom o facto de termos de nos desenvelhecilhar desta vez, e acho que capturámos essa energia. Não consigo dar elogios suficientes ao John Agnello.

Gravaram o disco numa igreja enorme, em Woodstock. Gostaram de estar fora de Londres enquanto trabalhavam no disco novo?

Adorámos! Adoro Londres, mas foi incrível estar numa igreja lindíssima rodeada de neve e discos platina B52. A sanduíche mais perto estava a 45 minutos de distância a pé, por isso simplesmente trabalhámos sem parar. O John Agnello é que teve a ideia de ir para lá.

Li algures que são mais populares nos EUA que no Reino Unido, o que é bastante curioso tendo em conta que são de Londres. É mesmo assim? 

Tenta dizer isso a Santa Ana, na Califórnia [risos].