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Opinião

Marca Branca #10 - Netlabels, as editoras do futuro

Na semana passada, uma das nossas netlabels de eleição, a blocSonic, celebrou o seu 100º lançamento. Nós agarramos a deixa e falamos de outras cujo catálogo também chega aos três digitos.

Por Marca Branca 23 de Julho, 2012

Não são raras as vezes em que se afirma que a quantidade é inimiga da qualidade. Contudo, no que toca ao universo netaudio, a regra parece não se aplicar tão literalmente. Por isso, o Marca Branca aproveita a festa e visita algumas das mais conhecidas.

Com uma colecção de lançamentos bastante peculiar, a blocSonic chegou recentemente à centésima edição. Ainda que tenha começado por lançar compilações de netaudio denominadas netBlocs, acabou por não resistir a editar material inédito, divididos por várias séries. Virada sobretudo para o hip-hop mas também com registos ligados a outros estilos, a norte-americana não só diferencia álbuns de reedições como recupera formatos reservados ao vinil nos seus maxBlocs (maxi-singles) ou nos fortyFives (7 polegadas).

Do outro lado do mundo, a japonesa Bump Foot divide as suas mais de duas centenas de edições entre o lado bump, onde a electrónica aparece mais virada para a pista de dança e sonoridades mais pesadas, do lado foot, onde o som assume posturas mais calmas e introspectivas.

Do que conhecemos, a netlabel campeã de edições é russa. Maioritariamente focada em música experimental e contemporânea, a Clinical Archives parece não ter par, com mais de 500 lançamentos desde 2006. Ainda assim, e bem longe do primeiro lugar, surgem outras editoras de referência: a alemã Resting Bell, dedicada a ambientes electrónicos ou acústicos, telúricos e pacíficos, editou desde 2007 e até à data da publicação deste texto 109 registos; a sua conterrânea Kreislauf, um bocadinho mais virada para a pista de dança, já ultrapassou a fasquia dos 120 discos; já a italiana Bad Panda Records, sem estilo definido, mas com uma política inicial de editar uma música por semana em Creative Commons, manteve a promessa até hoje e chegou às 139 edições.

Em Portugal, são três as netlabels cujo catálogo ultrapassa a centena, sendo o seu trabalho largamente reconhecido dentro e fora de portas.

A Enough Records, que assume o papel pioneiro de ter sido uma das primeiras netlabels nacionais ao lado da You're Not Stealing Records, conta com 16 mixtapes, 17 colectâneas e 308 registos originais editados, sendo uma das mais regulares e prolíficas editoras de netaudio actualmente. Entre IDM, glitch, noise e outras vertentes mais arrojadas da electrónica, a netlabel dirigida por Filipe Cruz apresenta uma colecção simultaneamente consistente e diversificada.

Em Lisboa, a Test Tube, de Pedro Leitão, mantém-se como uma da netlabels de referência, não se fechando sobre estilos musicais ou rótulos. Com 255 discos disponíveis, editou artistas de quase todo o mundo: Portugal, Brasil, Japão, EUA ou Austrália são apenas alguns dos países representados. No activo desde 2004, tem sido um exemplo a seguir.

Finalmente, a luso-nipónica MiMi Records aproxima-se a passos largos das duas centenas de lançamentos. Com um pé no Japão e outro em Coimbra, esta casa destaca-se tanto pela originalidade dos seu lançamentos como pela abrangência de géneros musicais representados - do hardcore ao shoegaze, parece haver espaço para um bocadinho de tudo.

Mas se estes são os nossos destaques, temos a certeza de que existem muito mais netlabels que já ultrapassaram a fasquia das 100 edições. Aliás, na preparação deste texto, os nossos amigos no facebook sugeriram-nos uma que não estava na lista, a 8 bitpeoples. Ainda assim, queremos saber mais sobre as vossas escolhas: enviem-nos um e-mail e juntem mais nomes a esta lista.

* Fotografia licenciada em Creative Commons por brianjmatis.