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Milhões de Festa 2014
Reportagem

The Antlers @ Lux, Lisboa

Na sua estreia por Portugal, os The Antlers foram bem-recebidos por um público conhecedor.

Por Gonçalo Trindade 7 de Novembro, 2011

Noite de chuva, Lux não esgotado, mas não muito longe, e em palco uma daquelas bandas que transpiram culto por todos os poros. Os Antlers editaram em 2009 o excelente Hospice, um dos melhores discos daquele ano, e a banda de Peter Silberman repetiu este ano a proeza com Burst Apart, que abandona a melancolia e o espírito conceptual do primeiro para se dedicar a melodias mais alegres, mas sempre com a densidade e a honestidade do costume (aquelas letras não enganam, e é impossível esquecer aqueles dois primeiros feitos por Silberman a solo: Uprooted e In the Attic of the Universe), e aquela estrutura com que eles trabalham tão bem: um ritmo calmo que vai explodindo aos poucos, com a música a terminar sempre num clímax impressionante.

Ao vivo, confirma-se: resultam tão bem quanto em disco, graças a essa mesma estrutura que lhes torna possível entregar autênticas explosões de som. Num alinhamento que passou tanto por Hospice como por Burst Apart (com este último a ter destaque, claro), deu perfeitamente não só para notar a diferença de tom entre um disco e outro, mas também para ver o quão bem isso resulta, com cada música a encaixar muito bem na anterior. O início, com Parentheses, de Burst Apart, e logo de seguida Kettering, de Hospice, mostrou logo bem esse encaixe: de uma explosão de som em crescente passámos logo para outra, com a voz e guitarra de Silberman (muitas vezes em falsete) e o trabalho do teclista a serem os elementos essenciais de um som que tanto envolve quanto impressiona.

Kettering é, aliás, de longe uma das suas melhores canções, e foi ao vivo, tal como se esperava, um dos melhores momentos da noite. Consistência foi, portanto, a palavra chave. Canções mais alegres como Every Night My Teeth Are Falling Out resultam muito bem ao vivo, e acabam por encaixar muito bem com momentos mais melancólicos como, por exemplo, a espectacular Atrophy (apoteótica). Foi um jogo constante entre os dois discos (enfim, ficou a faltar a excelente Two, que até foi single…), com cada canção a ser tocada na perfeição por uma banda que provavelmente estará numa sala muito maior da próxima vez que passarem por cá; veja-se, por exemplo, a forma como Bear encaixou tão bem em Hounds.

Foi curioso ver muitos dos presentes a cantar em voz alta as canções do início ao fim, e aquele momento em que Silberman se emocionou enquanto cantava Corsicana não engana (nem deixa indiferente) ninguém: esta é, de facto, uma relação de amor. E com concertos assim, os Antlers bem a merecem.

Silberman não fala muito, nem tem que o fazer: qual era o objectivo, quando já diz tanto, e sempre de forma tão pessoal, cada vez que canta? Inclina-se para a frente e balança em si mesmo quando manda aquele riff devastador em Sylvia, canta de olhos fechados sempre que se aproxima do microfone, e transpira empenho e alma em cada pequeno gesto. O melhor músico em palco, no entanto, é Darby Cicci, o teclista que também fazia backing vocals, que com apenas algumas teclas conseguia encher por completo cada música.

Verdade que o quarteto estava todo ele em perfeita coordenação, numa sintonia que foi bonita de ver (apesar de o baterista nem estar ali a fazer grande coisa), mas foram realmente estes dois os que criaram o verdadeiro espectáculo sonoro que saía do palco. O som estava óptimo, e tiveram sorte em recuperar poucos minutos antes do concerto os instrumentos que a British Airways tinha perdido durante o voo (mas perderam a roupa, ao que parece). No geral, o concerto pautou-se por momentos quase apoteóticos, autênticas explosões em que quase parece que em vez de quatro músicos em palco estamos a ver dez, mas tudo soou sempre a puro intimismo.

A excelente Corsicana, já aqui citada e que teve a honra de abrir o encore de duas músicas (tarefa difícil, já que a transcendente Putting the Dog to Sleep já tinha terminado tão bem o set principal), foi talvez o momento mais simples e mais belo, em que realmente se vê a óptima voz que Silberman tem, e o quanto deposit